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10 de Abril 2018 Andrioli destaca qualidade de vida na concepção de desenvolvimento em conferência na Cresol Central

Concepções de desenvolvimento, modelos de produção e o papel do Sistema Cresol Central SC/RS foi o tema abordado pelo professor doutor Antônio Inácio Andrioli, vice-reitor da UFFS, durante a atividade do Cresol Aprende Multiplicadores/as Caixa e Crédito na Cresol Central nesta terça-feira (10/04).
    Em sua exposição, o professor Andrioli apresentou uma análise do sistema econômico a partir da ruralidade. A proposição de um modelo econômico alternativo constitui parte das discussões, onde buscou-se aprofundar a compreensão dos impactos deste no desenvolvimento econômico e social.
    Para ele, desenvolvimento não pode ser observado apenas pelo viés econômico. Como exemplo mencionou que a instalação de uma indústria em determinado município que não tenha ligação com a realidade do mesmo não é desenvolvimento e sim dependência. A ideia do desenvolvimento deve partir de dentro para fora e precisa ser sustentável, ou seja, ser suficiente pelo maior tempo possível. Ressaltou que é necessário oferecer melhores ou iguais condições de vida para as futuras gerações, assim como a geração atual vive em melhores condições que as gerações passadas. Para isso é importante diminuir as desigualdades. Andrioli destacou que uma concepção de desenvolvimento bem simples é a de qualidade de vida. E, para ele, o crédito solidário deve ser destinado para garantir essa qualidade de vida.
    O professor ainda abordou sobre a importância das cooperativas se manterem cooperativas e os agricultores se manterem agricultores. Para haver desenvolvimento e sustentabilidade o agricultor deve conseguir a sucessão familiar. Dessa forma, Andrioli frisa a importância da Educação no Campo. “O fechamento de escolas rurais é um crime”, reforça, pois a partir do momento que a criança sai de determinada região, a probabilidade de retornar é menor. Há um rompimento com o mundo rural.
    Andrioli mencionou também os impactos da Revolução Verde para que os agricultores deixassem de ser agricultores e se tornassem empresários rurais. “A Revolução Verde funcionou de tal forma que temos poucos agricultores, no sentido do agricultor que é autônomo com relação a própria comida. E ser autônomo não é pouca coisa. Se der a pior crise, o agricultor tem o que comer. Nenhuma outra profissão consegue fazer isso”, destaca.
    Segundo Andrioli ainda, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já assumiu que o futuro da agricultura é a agroecologia, mas antes havia assumido a Revolução Verde (com origem pós Segunda Guerra Mundial com a promessa de usar a melhor tecnologia para produzir mais alimentos, com modificação em sementes, fertilização do solo, utilização de agrotóxicos e mecanização no campo). “O futuro vai ser agroecologia ou não vai ter agricultura. O debate agora é quem vai dominar a agroecologia: Estado, grandes empresas ou agricultores. E nós ainda estamos discutindo se usamos veneno ou não”, relata Andrioli. O professor ainda salientou que para haver soberania alimentar é preciso cooperativismo. E o desafio é continuar havendo agricultores e cooperativas.
    Antônio Inácio Andrioli, possui Graduação em Filosofia pela UNIJUÍ (1998), Mestrado em Educação nas Ciências pela UNIJUÍ (2000), Doutorado em Ciências Econômicas e Sociais pela Universidade de Osnabrück/Alemanha (2006) e Pós-Doutorado em Sociologia pela Universidade Johannes Kepler de Linz/Áustria (2009). Seu envolvimento com a UFFS remete ao processo de implantação da Universidade. Docente concursado, é atualmente vice-reitor da Universidade. Parceiro da Cresol Central SC/RS. É autor de diversas obras, atuando em temas como agricultura familiar, transgênicos e educação.
    O Cresol Aprende Multiplicadores Caixa e Crédito segue até sexta-feira (13/04).

 

 



 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS

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