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06 de Julho 2018 Entidades parceiras ontem e hoje: mesmos ideais e em defesa do Cooperativismo Solidário

Ao longo de sua história o Sistema Cresol Central SC/RS vem contando com entidades parceiras. A maioria ligadas a agricultura familiar e a luta dos agricultores por melhores condições de vida e consequentemente de acesso ao crédito. Durante a realização do Seminário Internacional do Cooperativismo de Crédito Solidário, em julho de 2017, essas entidades foram homenageadas e seus representantes comentaram sobre o Cooperativismo de Crédito Solidário, seu futuro, desafios, sua importância, especialmente para a agricultura familiar e a produção de alimentos.
    “O Cooperativismo de Crédito Solidário no Brasil é um instrumento fundamental para o desenvolvimento da agricultura e especialmente da agricultura familiar”. Essa é a avaliação de Natal Magnanti do Centro Vianey. Questionado sobre os maiores desafios ele é enfático: “Manter a solidariedade”. Além disso, para Magnanti, o Sistema Cresol tem que financiar a agroecologia, a transição para a agricultura ecológica e pensar a sucessão familiar. “Não imagino a agricultura familiar sem família, sem sucessão, sem jovens que estejam pensando em coisas inovadoras. O rural é muito mais do que agricultura. Viver no meio rural é pensar o meio e o modo de vida que diferencia-se um pouco do meio urbano”, destaca. “Se não tivermos isso na essência é difícil pensar em uma agricultura familiar daqui 20 anos ou 30 anos. Hoje já se tem dados e informações de que menos de 20% das pessoas moram no campo. Será que a gente quer um horizonte europeu onde tem países onde 2 ou 3% da população estão morando no meio rural? De que as empresas e o agronegócio dominam a agricultura? Eu acho que não”, salienta.
    Ele acredita que o projeto do Sistema Cresol é de que a agricultura familiar se sobressaia e o camponês tenha possibilidade de existir e continuar progredindo, evoluindo enquanto categoria, pensando em um desenvolvimento sustentável e que a agroecologia seja esse proponente.
    A representante da Apaco, Diva Vane Deitos, também percebe o Cooperativismo de Crédito como uma saída não só para a pequena agricultura familiar, mas também para as pequenas agroindústrias, para as mulheres e para os jovens. Segundo ela, um dos principais desafios é manter a essência, olhando de onde foi constituído o Cooperativismo de Crédito Solidário e onde se quer chegar. “Um desafio também grande dentro do Cooperativismo de Crédito é inserir as mulheres e os jovens dentro dessa possibilidade, aonde o crédito seja não só direcionado, mas que venha a ajudar o agricultor ou a pequena agricultura familiar”, assinala.
Produção de alimentos
    Uma experiência que leva crédito aos agricultores familiares e contribui muito com a organização e produção de alimentos. Assim Valter Bianchini, representando a FAO nas Unidades Sul do Brasil, define o Cooperativismo de Crédito Solidário.
    Ele analisa que o cooperativismo de crédito tem ainda muito para crescer no Brasil.  “Há um conjunto ainda grande de famílias, principalmente as mais pobres, que ainda não acessam crédito como Pronaf e a nossa expectativa é que essa necessidade de incluir muito mais gente no cooperativismo, consolidar o Pronaf, vai se dar muito na consolidação e no crescimento do Cooperativismo de Crédito Solidário hoje muito bem representado pelo Sistema Cresol”, destaca.
    Bianchini comenta que até 2050 a população mundial deverá ultrapassar a 10 bilhões de habitantes, um crescimento de quase 50%. Com isso haverá uma demanda muito grande de alimentos. “Precisará crescer a produção de grãos, crescer a produção de carne, leite, para que atenda esse crescimento da população, para que atenda quase 800 milhões de pessoas ainda na situação de pobreza, de fome, então é uma demanda grande para a agricultura, mas é uma agricultura de forma sustentável, uma agricultura que respeita os recursos naturais, então isso se faz muito com a agricultura familiar”, reforça. Ele salienta que são mais de 500 milhões de propriedades no mundo, sendo que o Brasil possui mais de quatro milhões. “O Brasil tem um papel muito grande nessa produção de alimentos para um mundo que cresce e precisa cada vez mais de alimentos. E para o próprio país para um Brasil sem fome. Dessa forma essa experiência de programas para a agricultura familiar e um cooperativismo que leve crédito são muito importantes”, finaliza Bianchini.
    Para Irma Brunetto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Cooperativismo de Crédito Solidário no Brasil foi e tem sido uma ferramenta muito importante para as organizações do campo, estão no bojo de várias organizações que foram surgindo de movimentos populares do campo e de ferramentas de luta que os movimentos foram construindo. “As cooperativas de crédito no Brasil foram e são muito importantes no sentido do nosso desenvolvimento no campo, mas principalmente da permanência das famílias no campo”, enfatiza.
    Na avaliação do presidente da Unicafes nacional, Vanderley Ziger, o Cooperativismo de Crédito Solidário tem cumprido um papel importante na vida das famílias, dos associados. Segundo ele, é um modelo diferente, distinto do modelo tradicional do Cooperativismo de Crédito. “Temos certeza de que a atuação desse cooperativismo tem fortalecido e muito a organização do seu quadro social e principalmente fazendo com que a presença das cooperativas nos municípios consigam desenvolver aquele município, tanto o campo quanto a cidade, porque todo o recurso que nós conseguimos colocar nas famílias, nos associados, no dia seguinte se transforma em uma ação concreta, do crédito que gira dentro do município, gerando empregos, gerando novas oportunidades, portanto não há dúvidas que o Cooperativismo Solidário é um instrumento de desenvolvimento das regiões onde nós estamos”, analisa.
    Na opinião do presidente da União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias (Unicopas), Luiz Ademir Possamai, as Cooperativas de Crédito são atualmente, o segmento mais importante das cooperativas. “Pois sem dinheiro nenhum tipo de cooperativa consegue se desenvolver, então se cuidarmos bem das Cooperativas de Crédito, zelar pela sua transparência, isso vai nos animar cada vez mais para estarmos na linha de frente ajudando a coordenar a nível nacional esse cooperativismo”, destacou.
    O coordenador estadual da FetrafSul, Alexandre Bergamin, destaca que o Cooperativismo de Crédito Solidário tem uma importância muito grande para a agricultura familiar. Para ele, desde a constituição e da história é possível observar não só o crescimento do ponto de vista das cooperativas, mas também o próprio crescimento e organização dos agricultores e das agricultoras familiares no que diz respeito inclusive a melhoria, estruturação das propriedades rurais, o pensar do modelo de desenvolvimento diferente que desenvolve na propriedade. “Então melhorou do ponto de vista de acesso ao crédito, de acesso aos serviços menos burocratizados, mais simples, atendimento mais facilitado, mas também na importância de investir de fato na sua propriedade, estruturar e passar a ser essa agricultura familiar que produz alimentos que vai na mesa dos brasileiros”, enfatiza Bergamin.


     

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS

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