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08 de Março 2019 08 de março: símbolo de luta e conquista de direitos

Especial Dia da Mulher

Conquistar direitos e mantê-los é uma luta em qualquer sociedade. Para as mulheres, em especial, essa luta exigiu e exige muito. Votar e ser votada, aposentar-se, usufruir de licença maternidade, ter salário, profissão, estudar, pesquisar, optar pelo matrimônio, decidir sobre a maternidade, dirigir um carro, chefiar uma empresa, ocupar cargos públicos ou até mesmo poder sair sozinha em público. Todas essas ações parecem cotidianas e absolutamente normais, mas, nem sempre foi assim.
O acesso à educação formal no Brasil (período pós-colonização europeia), era exclusivo aos homens. Apenas em 1827 foram criadas algumas escolas particulares para mulheres. Estas, por sua vez, se dedicavam a “moldar” as mulheres em vista de torna-las excelentes esposas, mães e donas do lar. Se propunham, inclusive, a ensinar as mulheres apenas a ler e escrever e as quatro operações, já que os demais conhecimentos representavam um desvio das funções naturais do lar.
Outro fato é o direito ao voto. Apenas em 1890 a discussão sobre o voto feminino começou a ganhar espaço. Posições contrárias a esse direito afirmavam que o voto feminino seria a dissolução da família brasileira. Somente em 1932 as mulheres conquistaram o direito ao voto através do Decreto nº 21.076.
O salário maternidade foi conquistado em 1943 e com a constituição de 1988 garantiu-se também a estabilidade de emprego para as assalariadas. No caso das trabalhadoras rurais, o acesso ao benefício de salário maternidade foi garantido apenas em 1993 através da luta sindical, já que o governo Collor havia vetado esse item na legislação anterior. Embora o direito estivesse conquistado, haviam ainda dificuldades de comprovação, de reconhecimento dessas mulheres como trabalhadoras rurais e beneficiárias. O trabalho da mulher rural, em geral numa dupla jornada entre a lavoura e os cuidados da casa, era praticamente invisível e reconhecido apenas como uma “ajuda”.
Esses são alguns exemplos dos históricos e contundentes processos de luta que tiveram de ser empreendidos para que fosse possível garantia de alguns direitos. No mês de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, que foi instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Por traz desta data comemorativa, das flores e dos presentes, o “08 de março” representa a luta das mulheres por direitos e igualdade no meio social. Marchas, protestos e greves marcam a luta permanente pela valorização da mulher urbana e rural.
Em uma sociedade marcada pelo patriarcado, machismo e preconceitos a mulher conquista seu espaço com dificuldades. No mercado de trabalho as mulheres ganham, ocupando o mesmo cargo, em média 40% a menos que os homens e são minoria em cargos de gestão e diretoria. No meio rural, essa discrepância é ainda maior e muitas mulheres se quer tem acesso a gestão financeira da família e do que ajudam a produzir nas propriedades. Não bastasse isso, ainda são questionadas a todo tempo sobre sua capacidade intelectual e de gerir atividades.
Durante o II Seminário Internacional do Cooperativismo de Crédito Solidário, realizado pela Cresol Central SC/RS, foi realizada uma mesa de discussão sobre “O papel das mulheres no Cooperativismo de Crédito Solidário”.  Na oportunidade, as diretoras Miriane Dela Justina Moreira, Maria Nadir Engers Bratz, Fabiana Cesário, Ivanilde Ines Gris Conte e Rosane Domingas Pansera Dalsoglio comentaram sobre os desafios que enfrentaram e enfrentam por assumir as cooperativas. Já a ex-ministra substituta da Casa Civil da Presidência da República (2016), Eva Maria Cella Dal Chiavon, ressaltou as características do matriarcado em que as relações de poder eram muito mais de cooperação do que competição, ao contrário do que ocorre no patriarcado. Ela ainda falou dos desafios para o cooperativismo, entre eles o de aumentar a participação das mulheres nos cargos diretivos das cooperativas e capacitar as mulheres para aumentar a participação das mesmas nos cargos de direção. No Sistema Cresol Central SC/RS as mulheres representam 37,22% do quadro de cooperados/as, 62,45% dos funcionários/as e 23,13% nos cargos de direção. O cooperativismo de crédito é um espaço marcado pela presença masculina, mas com um grande potencial de acolhimento das mulheres.
    Além disso, com objetivo de fomentar o protagonismo da mulher agricultora familiar na sociedade, provocando a necessidade do enfrentamento às práticas de discriminação da mulher, a fim de produzir espaços de construção que constituam processos de formação e informação, a Cresol Central SC/RS produziu em 2017 o documentário Mulheres da Luta. O mesmo encontra-se disponível na íntegra no site da Cresol para quem tiver interesse: https://www.cresolcentral.com.br/tv-central, ou no YouTube, através do link https://youtu.be/k4wCI4RYSoo.
A luta pela conquista, afirmação e garantia de direitos precisa ser uma constante social e, para as mulheres, esse desafio assume uma dimensão singular. O cooperativismo, em todas as suas formas e experiências, precisa ser pensado, estruturado e vivido como processo de integração e valorização de todos e todos que o compõem. Precisa, o cooperativismo, ser espaço de luta e manifestação daquelas e daqueles que são oprimidas e oprimidos pelos processos convencionais de produção, consumo e modo de vida. A Cresol nasce da luta de excluídas e excluídos e precisa continuar sendo protagonista dessas lutas.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS

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