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15 de Outubro 2020 Dia Internacional das Mulheres Rurais: as vozes essenciais para espalhar conhecimento

 

    Com o intuito de elevar a consciência mundial sobre o papel da mulher do campo, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu em 1995, durante a Conferência de Pequim, o Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro. São 25 anos de luta pela melhora na qualidade de vida das mulheres do campo, que sofrem com o preconceito e a desigualdade de oportunidades.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres constituem 40% da mão de obra agrícola nos países em desenvolvimento. No Brasil, são aproximadamente 14 milhões de mulheres rurais que são responsáveis, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  pela renda de 42,2% das famílias.

Pesquisas realizadas em 2019 pela Universidade Federal de Viçosa em parceria com o site Outras Palavras, verificaram que as mulheres atuam e trabalham na propriedade como um todo. Elas capinam, semeiam, colhem e comercializam, mas nem sempre elas estão na produção comercial na mesma intensidade que os homens, pois elas precisam assumir sozinhas todo o trabalho doméstico e de criação dos filhos. Na terra ou em casa, o trabalho é intenso e poucas políticas públicas as amparam. Mesmo assim, elas seguem lutando por seus direitos. 

Para Carine Effting  e Joana Zampronio, o campo é lugar de trabalho, dedicação, oportunidade e esperança. Vamos conhecer a história dessa jovens mulheres do campo para entender. 

 

Mulher do campo: muito trabalho, mas pouco reconhecimento

    Antigamente, o trabalho no campo era apresentado às mulheres como uma imposição e obrigação diante da família. Hoje a agricultura familiar vai muito além de um legado, ela faz parte de uma escolha das mulheres, que conquistaram informação e poder de decisão para traçar seus próprios caminhos. Um levantamento realizado em 2017 pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), aponta que uma em cada três propriedades rurais é gerida por mulheres.

Carine Effting Baasch, de 23 anos, é apegada a tudo o que esteja relacionado ao campo, ela ama a terra e sente prazer de poder levar adiante o legado da família. Quando criança, ela contava com o apoio e incentivo da família para conectar-se e apaixonar-se pelo trabalho na área rural. “Desde minha infância vejo o trabalho no campo como sensacional e gratificante. Poder ter essa qualidade de vida e estar dia a dia tendo contato com plantas e animais, é maravilhoso”, lembra.

    A associada da Cresol Posto de Atendimento São Martinho acredita que as ideias da sociedade em relação a mulheres na agricultura mudaram, mas o preconceito ainda existe. “Para aceitarem a ideia de uma mulher para evoluir e melhorar a produção rural, ainda existe muita resistência. Dizer que uma mulher vai realizar um determinado serviço, que geralmente homens fazem, se torna motivo de gozação”, ressalta. Carine sonha com o dia em que as mulheres terão espaço para realizarem serviços do campo que elas gostariam e serem igualmente reconhecidas por seus conhecimentos para as atividades e aprimoramento no meio rural. Para isso, ela considera importante que hajam campanhas de ajuda e valorização às mulheres do campo.

 Para Carine, toda mulher é uma guerreira e não desiste diante de situações difíceis. O conselho dela para aquelas que sonham em trabalhar com a terra, mas têm medo de se arriscarem, é qualificação e ajuda de quem já passou por isso.“Troque ideias com outras mulheres do campo que enfrentaram as mesmas situações, peça ajuda de outras pessoas e instituições. Busquem conhecimento e mostre que você entende e pode dar muito resultado dentro do seu trabalho no campo”, aconselha.

 

Joana Zampronio Bett Nascimento é associada da Cresol Posto de Atendimento de Lauro Müller, filha de agricultores, cresceu em meio a roça e sempre realizou atividades relacionadas ao campo junto a família, na comunidade de Guatá, em Lauro Müller-SC. Aos 28 anos, ela buscou qualificação e não pensa em sair da área rural. “Busquei formação na área por ser uma paixão trabalhar no campo e tenho como objetivo ajudar a melhorar a vida dos agricultores familiares, como a minha família”, ressalta. 

A escolha da engenheira agrônoma pelo trabalho na propriedade foi muito criticado, pois ela precisou mudar de cidade e o marido ficou no Rio Grande do Sul para trabalhar na sua área de formação. “Sofri bastante com a opinião alheia. Parece que a mulher precisa ter o homem ao seu lado para ser reafirmada e ser levada a sério. As pessoas diziam que logo iríamos nos separar, mas meu marido confia em mim, me apoia e sabe que estou lutando pelo nosso futuro”, relembra.

Joana é apaixonada pela terra e pelo legado da agricultura em sua família. A jovem sonha com o dia em que as mulheres do campo não precisarão da aprovação prévia dos maridos, não sofrerão mais violência doméstica, pressão social e desmerecimento. Que elas possam ser responsáveis por administrar suas propriedades e serem financeiramente independentes. O conselho de Joana para as mulheres que sonham em criar raízes com suas terras é não desanimar e sempre buscar ideias inovadoras e criativas. “Não se deixe desanimar por conta da opinião dos outros, faça das críticas uma escada para alcançar os seus objetivos. Busque aperfeiçoar-se na área para trabalhar com excelência e inovação. Esteja sempre atualizada sobre o que acontece tanto na atividade, quanto em outras formas de produção. E, principalmente, ame o que você faz”, aconselha.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Cresol Central SC/RS

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